
Sou filho do meu tempo. Um millennial com uma câmera digital compacta, fazendo fotos ruins e algumas memórias, a maioria delas dissolvida em bits em algum lugar entre um HD quebrado e o desaparecimento do Fotolog.
Lembro quando comprei minha primeira câmera, uma Olympus digital. Talvez cinco megapixels. O obturador dever ter pifado, mas ainda me arrependo de não tê-la guardado, mesmo não funcionando.
A fotografia continuou me encontrando. Na faculdade de design, descobri o laboratório: técnica, química, ampliadores e o tipo de teoria da imagem que muda para sempre a forma como você olha uma foto. Depois veio a fase lomográfica, que admito ter sido o jeito do meu cérebro de designer inventar desculpas. Por que aprender a linguagem se você pode simplesmente se vislumbrar com os lights leaks e fotos borradas?
Minha namorada, hoje minha esposa, manteve um blog de fotografia por anos. Então havia sempre algo novo por perto: um filme novo, uma câmera para testar, um fotógrafo para virar pesquisar. Eu me encantava, mas mantinha distância.
Encanto e distancia eram as palavras, mas nunca neguei que cameras fotografias são o produto mais engenhoso e bonito que já inventamos, nada me fascina mais que esses cameras e lentes, não são carros, motos, aviões, nada. Câmeras. O que provavelmente explica por que a coleção não para de crescer, ano após ano.
Mas colecionar vinis não faz de você um músico. Colecionar câmeras não tem faz melhor fotógrafo, então era hora de deixar fotos ruins de lado e fazer o trabalho de verdade, era hora de dar à fotografia a atenção que ela merece.
Soft and Blurry é o laboratório que construí para corrigir isso. Um lugar para ler, assistir e pensar sobre fotografia. Para catalogar o que estou aprendendo, o que estou vendo e quem estou me tornando através dela.
É também como mantenho o motor criativo funcionando. Porque alguns de nós precisam criar, não por entrega, não por audiência, mas simplesmente para não desaparecer.
